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Autoria feminina em Angola: poéticas insubmissas em feições identitárias

  • Foto do escritor: Renata Beatriz Rolon
    Renata Beatriz Rolon
  • 21 de set. de 2021
  • 1 min de leitura

Sétimo Poema

Dormitei na noite coberta de frio Enquanto sonhava Com a tempestade que me cobria Quando subtilmente Entreabri os olhos E despertei sobressaltada Ouvindo uivos e ganidos do vento furioso a lamentar-se.

Subi os degraus da solidão E ouvi O vento chamar por mim, Como quem diz: — "Sai, Sai, procura os filhos que pariste perdidos algures pelas savanas distantes das praias ensolaradas africanas".

O medo entranhou-se-me Nas veias ensanguentas da carne Estremecendo a medula dos cérebros Que tão dificilmente carrego. O vento estava furioso comigo E a chuva castigava-me inocente. Estava tudo coberto e enevoado, A água escorria e encobria Todas as portas dos vizinhos desconhecidos, Nenhum som era desenhado na terra figura da chuva forte.

(Ana Branco, 2005)





 
 
 

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