Autoria feminina em Angola: poéticas insubmissas em feições identitárias
- Lethicia Bernardino
- 9 de dez. de 2021
- 1 min de leitura

O mar recua –
uma onda imensa
e lenta
descobre uma mulher.
Ela vem até à praia
forte, suave e segura.
Aproxima-se da menina
e coloca-lhe um colar
de búzios ao pescoço.
A praia estende-se
o mar suspenso
retoma-a
em ondas brandas.
E a criança fica
só
com as oferendas do futuro.
(Maria Alexandre Dáskalos, 2001, p. 14)
Aquelas mulheres do Huambo
ensinaram-me os segredos
do licor de pitanga, dos bilros
da poesia e do pão.
Elas continuaram ao meu lado
quando fui mãe
- folhos de ternura no teu berço
lãs macias, cantigas antigas.
No vosso regaço para sempre
a minha dor.
Mulheres do Huambo.
(Maria Alexandre Dáskalos, 2001, p. 30)






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